A promessa de ganhar entre R$ 3.000 e R$ 6.000 por mês como motorista de aplicativo atrai cada vez mais trabalhadores. Mas antes de comprar um carro específico para esse fim — muitas vezes financiado —, é essencial fazer os cálculos com seriedade. O equilíbrio entre ganhos, custo do carro e depreciação pode transformar um bom negócio em prejuízo.
Os ganhos reais (sem romantismo)
Pesquisas independentes com motoristas de aplicativo apontam que a renda bruta mediana em São Paulo é de R$ 3.200 a R$ 4.500/mês para quem trabalha 40 a 50 horas semanais. Após descontar combustível (R$ 800 a R$ 1.200/mês para esse volume), manutenção acelerada (R$ 350 a R$ 500/mês), seguro comercial (R$ 600 a R$ 900/mês) e a parcela do financiamento, a margem líquida cai para R$ 800 a R$ 1.800/mês.
O problema da depreciação acelerada
Um carro em uso como app roda 4.000 a 6.000 km por mês — quatro a cinco vezes mais que um uso pessoal. Essa quilometragem acelerada deprecia o veículo muito mais rápido: um Onix financiado para trabalhar pode valer 40% a 50% menos já em dois anos. Essa depreciação precisa entrar no cálculo de rentabilidade.
O modelo financeiro correto
Para avaliar se o investimento faz sentido, calcule:
- Faturamento bruto mensal estimado (horas × tarifa média)
- Menos combustível
- Menos seguro comercial
- Menos manutenção (R$ 0,07 a R$ 0,12/km)
- Menos parcela do financiamento
- Menos depreciação mensal estimada
- = Resultado líquido
Se o resultado líquido for inferior a R$ 1.200/mês, pode não valer a pena frente ao custo e ao desgaste pessoal de dirigir 10 a 12 horas por dia.