O financiamento de veículos é um produto financeiro complexo disfarçado de simples. "Parcelas de R$ 1.200" parece claro, mas esconde taxas, seguros embutidos, IOF e uma estrutura de juros compostos que pode fazer você pagar 60% a 80% a mais do que o valor original do carro. Antes de assinar qualquer contrato, entenda o que você está aceitando.
O CET (Custo Efetivo Total): o número que realmente importa
A taxa de juros anunciada é a taxa nominal. O CET inclui todos os custos do financiamento: juros, IOF, tarifas administrativas, seguros embutidos e qualquer outro encargo. Por lei, o banco é obrigado a informar o CET. Compare pelo CET, nunca pela taxa nominal ou pela parcela.
Seguro prestamista: cuidado
Muitas instituições embutem um "seguro prestamista" no financiamento sem você perceber. Esse seguro paga as parcelas em caso de morte ou invalidez, mas o preço é abusivo. Questione sempre se está incluso e, se estiver, peça para retirar.
A armadilha do prazo longo
Um carro de R$ 80.000 financiado em 60 meses a 1,85% ao mês (22,2% ao ano, taxa comum) custa, ao final, cerca de R$ 130.000. Financiado em 72 meses, pode custar R$ 145.000. Quanto maior o prazo, mais cara fica a dívida — mesmo que a parcela seja menor.
Antecipação de parcelas
Por lei, você pode quitar o financiamento antecipadamente com abatimento dos juros futuros. Se sua situação financeira melhorar, antecipar parcelas é sempre uma boa decisão. Simule o abatimento com a instituição financeira antes de decidir o valor a quitar.
Compare pelo menos três propostas
Bancos das montadoras costumam ter condições especiais para os modelos da marca, mas nem sempre são as melhores do mercado. Simule no Bradesco, Santander, Itaú e no banco da montadora antes de decidir. A diferença pode ser de R$ 8.000 a R$ 15.000 no custo total.